quinta-feira, 5 de maio de 2016

A Cidade como objeto de estudo: Escolas de Pensamento sobre as Cidades - 6 - A Escola Americana de Los Angeles

          1. Os Utopistas
              Thomas More, Robert Owen, Charles Fourier, Jean Baptiste Godin,
              James Silk Buckingham, Benjamin W. Richardson, Ebenezer Howard
          2. O pensamento alemão
               1ª Geração: Max Weber e Werner Sombart
               2ª Geração: Georg Simmel e Walter Benjamin
          3. O pensamento em Inglaterra
              Desenvolvido por pensadores alemães em Inglaterra: Karl Marx e Friedrich Engels
          4. A Escola Americana - Chicago
              Robert Park, Ernest Burgess, Louis Wirth
          5. O pensamento francês
              Henri Lefebvre e Manuel Castells
          6. Escola America - Los Angeles
              Michael Dear



Nos anos 1980, surge uma nova corrente de pensamento sobre as cidades, nos EUA, agora em Los Angeles. Trata-se de um movimento académico centrado no urbanismo, que se desenvolveu na Universidade da Califórnia e da Universidade da Califórnia do Sul.
Não possuindo uma doutrina oficial associada e sendo caracterizada por uma grande diversidade nos trabalhos dos seus autores - como Michael Dear, Mike Davis, Allen J Scott, Edward Soja, Michael Storper e Jennifer Wolch - há um tema relativamente comum nas suas obras: a ideia de que Los Angeles é um caso paradigmático, uma metrópole especial e, por isso, não pode ser explicada pelos modelos teóricos construídos através do estudo de outras cidades americanas e europeias. Nesse sentido, Los Angeles precisaria de ser teorizada por si só.
 
Até muito recentemente, os debates sobre a estrutura urbana eram dominadas pelos pressupostos da Escola de Chicago, que incluem a ideia de que a cidade é um sistema regional coerente onde o centro organiza o seu interior. O surgimento da Escola de Los Angeles inverte essa lógica, insistindo que, nas cidades contemporâneas, são as áreas mais remotas que organizam o que resta dos centros. 
Assim, a Escola de LA representa um desafio para o que muitos dos seus membros entendem como a dominante Escola de Chicago. Enquanto esta última apresenta uma teoria modernista de cidades baseada em pressupostos como o darwinismo social e luta pelo espaço urbano, a Escola de Los Angeles Escola propõe uma visão pós-moderna ou pós fordista de cidade.
Embora nem todos os seus membros se identifiquem com os conceitos pós-modernistas, esse foco é fundamental para muitos, que seguem os teóricos associados ao pós-modernismo, como Baudrillard, Foucault, Jameson, e Derrida. 
Um outro fluxo de trabalho emergente da Escola de LA é representada por Scott e Storper, ambos com um vasto trabalho sobre a especialização flexível e as dinâmicas económicas da metrópole contemporânea. Abordando a teoria urbana a partir da perspetiva do pós-fordismo, em vez de pós-modernismo, o trabalho de Scott e Storper difere da visão de Dear e Soja.
 
Pressupostos gerais desta Escola:
  1. O que se faz em LA é urbanismo pós-moderno, ou novo urbanismo – é uma cidade sem fronteiras;
  2. Ideia de rede – todos os lugares estão ligados em rede; conectividade – intensos contactos das periferias com os centros;
  3. LA é uma cidade que não passou por fases de crescimento, nasceu assim, com a diversidade que a caracteriza.
  4. Los Angeles é a expressão de uma forma pós-moderna de cidade.

Principais críticas à Escola de Los Angeles:
  1. Várias críticas têm sido levantadas em reação à Escola Los Angeles. Talvez a mais importante consista num relativo ceticismo sobre a real importância desta Escola relativamente às suas reivindicações. Por exemplo, alguns autores defendem que a sua literatura exclui, por vezes, de forma propositada, discussões ou citações de outras obras importantes sobre as questões urbanas, para dar a impressão de que a Escola de LA é mais original e importante do que efetivamente é. Em particular, alguns críticos consideram que a importância contemporânea da Escola de Chicago é exagerada pelos teóricos LA, ao mesmo tempo que pouca ou nenhuma atenção é atribuída a investigação extremamente importante produzida no período entre o declínio da Escola de Chicago e o surgimento da Escola de LA, sobretudo o trabalho de teóricos marxistas como Manuel Castells, David Harvey, e Henri Lefebvre.
  2. Na mesma linha de ideias, grande parte do trabalho da Escola de LA tem sido criticada pela sua relativa incoerência e falta de metodologia comprovada. 
  3. A crítica final questiona  a afirmação fundamental da Escola de LA de que Los Angeles deve ser considerada a cidade americana pós-moderna paradigmática. Tal resulta de comparações externas entre Los Angeles e outras cidades e da conclusão de que, em certos fenómenos urbanos, a realidade de Los Angeles não corresponde à de outras cidades americanas.
 
 
Michael Dear
Michael Dear é geógrafo, com formação em planeamento regional e urbano. É professor em várias universidades dos EUA e algumas de Inglaterra.
Na sua obra mais importante, From Chicago to L.A.: Making Sense of Urban Theory, Michael Dear propõe uma agenda de investigação alternativa à sociologia urbana que se fazia em Chicago.

Mais informação aqui.
 
 


A Escola de Chicago e, em particular, Robert Park:
  • Via a cidade como um todo unificado; 
  • Via a cidade como um sistema regional coerente em que o centro organiza todo o seu território em redor (as periferias);
  • Via o centro urbano como a fonte da cultura urbana para o exterior;
  • O entendimento da condição urbana estava centrado nos indivíduos, nas suas subjetividades e nas suas escolhas;
  • O elemento estruturante do modelo de Chicago são os anéis ou as zonas concêntricas do crescimento urbano (E. Burgess).

Los Angeles põe em causa este modelo de Chicago, a partir da análise da realidade concreta, de LA. A mudança de paradigma de Chicago para Los Angeles representa uma transição da visão modernista para a visão pós-modernista da urbanização.

Segundo a perspetiva de LA:
  • Não é o centro que organiza as periferias; são as periferias que organizam o resto da cidade.
  • Há cidades, como LA, que crescem sem centro.
  • Há novas expressões de riscos ambientais nas cidades e de degradação urbana.


Bibliografia:
 
FREITAG, Barbara (2006), Teorias da cidade. Campinas (SP): Papirus.
HORTA, Ana Paula (2007), Sociologia Urbana. Lisboa: Universidade Aberta.
MELA, Alfredo (1999), A Sociologia das Cidades. Lisboa: Estampa.
RÉMY, Jean; VOYÉ, Liliane (1994), A cidade: rumo a uma nova definição?. Porto: Afrontamento.
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