sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Imaginários do Turismo

Imaginários do Turismo 
Painel do V Congresso da Associação Portuguesa de Antropologia, que terá lugar entre 9 e 11 de setembro de 2013. Está aberta a Chamada para Comunicações até ao dia 22 de abril.

Co-Coordenadoras
Filipa Fernandes (Technical University of Lisbon/ School of Political and Social Sciences)
Carina Sousa Gomes (Universidade de Coimbra)




Resumo Curto
Este painel tem por objetivo analisar a criação, transformação e difusão de imaginários turísticos, sua multi-dimensionalidade e significado na produção do turismo. Importará analisar as várias práticas relacionadas com tais processos e atores envolvidos.

Resumo Longo
Como é que agendas turísticas e políticas de promoção dos lugares têm criado imagens exóticas e, apelativas do outro? Os contributos de alguns autores como Christine Boyer, Tom Selwyn ou Arjun Appadurai são ricos em pistas que poderão esclarecer acerca desta matéria. Estas imagens são a pedra basilar da indústria turística. Disseminadas através das brochuras turísticas, das páginas Web, dos postais, dos guias de viagem, dos vídeos promocionais, dos programas televisivos, etc., estas imagens constroem Outros 'míticos' para o consumo turístico. Este conjunto de imagens turísticas projeta-se na 'mediascape' global contribuindo para a formação de imaginários partilhados sobre os lugares. Por descortinar fica a relação que tais imaginários, como representações sociais, mantêm com os lugares reais, vividos, e não apenas visitados.
Os imaginários turísticos, como nexos de práticas sociais por meio dos quais os indivíduos e grupos se cruzam para estabelecer um local como um destino credível, bem como as formas como tais imaginários são re-criados, transformados e difundidos são questões que ainda não foram totalmente explorados ou definidos, havendo, por isso, oportunidade para discussão e produção de conhecimento.
Face às questões teóricas explanadas, este painel convida a apresentação de trabalhos relacionados com: o turismo enquanto sistema de produção de imagens dos lugares; processos e mecanismos de construção de narrativas turísticas; elementos caracterizadores dos imaginários turísticos e seu confronto com outras narrativas dos lugares; reflexões acerca dos espaços e escalas geográficas das representações, práticas e atores envolvidos na produção dos imaginários turísticos.

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O V Congresso da Associação Portuguesa de Antropologia


O V Congresso da Associação Portuguesa de Antropologia terá lugar entre 9 e 11 de setembro de 2013 no Campus da UTAD, em Vila Real. O lema do congresso será “Antropologia em Contraponto”.


ANTROPOLOGIA EM CONTRAPONTO
Como relacionamos aquilo que nós fazemos, escrevemos e propomos, em antropologia, com a antropologia?
Sem pretender subalternizar a multiplicidade dos temas e problemas que orientam a actividade dos antropólogos – quer estes focalizem os colectivos humanos e as transacções entre pessoas sociais, as representações do mundo e os actos de comunicação, as relações entre humanos e diversos não-humanos (animais, naturezas, matérias, objectos, tecnologias, divindades, antepassados, etc.) ou qualquer outro campo –, a pergunta-chave que orienta este congresso traduz-se num duplo desafio.
O primeiro consiste em questionar a relação que existe entre cada uma das nossas investigações em antropologia e o conjunto da tradição reflexiva a que chamamos Antropologia, em nome da qual se construíram e continuam a desenvolver múltiplas linguagens teóricas, metodológicas e empíricas, também elas sujeitas a uma pluralidade de interpretações. O segundo sugere uma reflexão em torno da própria articulação entre a antropologia enquanto procura da compreensão da condição humana e a antropologia enquanto tradição disciplinar que contribuiu de forma decisiva para o esforço antropológico mais vasto.
A pergunta de que partimos evoca, pois, propositadamente, o carácter polifónico da antropologia, privilegiando o contraponto entre as distintas vozes que a compõem. Indicia, em paralelo, que a disciplina da antropologia se constitui como um campo pluridimensional de diferenças e de tensões: entre outras, uma dimensão histórica, na qual podemos situar fenómenos de ascensão e declínio, de transformação e viragem, de especialização e integração teórica, quer dinamizados no interior da disciplina, quer desencadeados por eventos e processos externos tais como o colonialismo, a descolonização, a globalização ou o neoliberalismo; uma dimensão nacional, articulada com determinados espaços públicos e constitutiva de formas de acção e representação da diferença; ou, ainda, uma dimensão transversal que insiste na porosidade, no hibridismo, na redefinição incessante de fronteiras inerentes aos modos de fazer antropologia no interior da antropologia.