quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Património Industrial em Guimarães

Guimarães não é só cultura! Também é Património Industrial...

No passado dia 14 de fevereiro decorreu a cerimónia de apresentação e lançamento do novo projeto Guimarães MARCA que, segundo a autarquia local, "tem como principais objetivos a diversificação da oferta turística do concelho de Guimarães e da região, a criação de um novo produto turístico para Guimarães e a dinamização do sector empresarial, através da divulgação e venda dos seus produtos ao turista / visitante". 


Para já, integram este projeto um grupo ainda restrito de empresas e produtos, desde o calçado e a roupa interior, os têxteis para o lar, até às cutelarias. Projeto bastante diversificado, portanto. A promoção deste novo projeto de turismo assentará num conjunto de meio, mais ou menos estandardizados, em língua portuguesa e inglesa, a serem disponibilizados nos Postos de Turismo do aeroporto e da Região Norte, nas feiras de turismo e nas visitas educacionais a jornalistas.
Mais interessante do que este anúncio da Câmara Municipal de Guimarães é, no entanto, a leitura que dele faz a Turisver:

"A Câmara Municipal de Guimarães apresentou ontem um novo roteiro turístico dedicado ao património industrial, sob o nome “Guimarães Marca”, um novo produto turístico que pretende mostrar que a oferta turística da cidade não se resume apenas à cultura.
O novo produto turístico vimaranense resulta de uma parceria entre a autarquia e nove empresas instaladas no concelho, entre empresas de cutelaria, têxteis, vestuário e calçado.
“Guimarães é conhecida como um destino cultural de excelência mas não somos apenas cultura e património. Somos também uma cidade que se afirmou pela qualidade e pela valia do tecido empresarial", explica Amadeu Portilha, vereador do Urbanismo de Guimarães.
De acordo o responsável, este roteiro industrial pode servir como um complemento aos visitantes que se deslocam a Guimarães em negócios, sendo visto como uma “janela de oportunidade”.
A primeira fase do “Guimarães Marca” arrancou com a adesão de nove empresas do concelho, nomeadamente a Babez, a Comport, a Kyai,a Jam, Jobarros e a Luipex, na área do vestuário e calçado, a que se juntam ainda as empresas de cutelaria Cutipol e Herdemar, bem como a Lameirinho e a Sampedro, que representam a área têxtil.
I.M.
16/02/2012"

Trata-se assim, de um projeto cujo principal objetivo é mostrar que Guimarães que, por acaso, é Capital Europeia da Cultura em 2012, afinal não é só cultura. Disso é exemplo, aliás, a já aceite pré-candidatura de Guimarães a a Cidade Europeia de Desporto 2013. Ainda na página eletrónica da Autarquia, pode ler-se que:

"A conseguir este título de Cidade Europeia do Desporto, Guimarães será a primeira cidade portuguesa a obter essa designação e será a base internacional para outras candidaturas que de agora em diante surjam no panorama nacional."

A estratégia de Guimarães como cidade a expor-se ao exterior passa, assim, por um projeto de cidade que sempre foi cidade histórica - uma das mais importantes na história do país, não fosse (ou assim a promovem) a cidade berço. À imagem de cidade histórica veio aliar-se o forte e valorizado reconhecimento europeu de Guimarães como cidade de cultura - a Capital Europeia da Cultura. Mais do que cidade histórica e cultural, Guimarães parece querer, agora, ser também uma cidade com um importante património industrial e, não ficando por aqui, cidade importante do ponto de vista do desporto - a confirmar-se, será Cidade Europeia do Desporto.
Ora, diz a teoria, que uma das maiores dificuldades existentes nas estratégias urbanas de valorização dos seus recursos, na re-invenção e consolidação de imagens de cidade e, de resto, na definição de projetos amplos de cidade, reside na obtenção de consensos locais, social e politicamente alargados - ou seja, na re-construção de um imaginário de cidade, que seja coerente com a sua história e o seu passado e com que, coletivamente, a própria cidade se identifique.
Por outro lado, e embora a diversificação da oferta seja de extrema importância para qualquer cidade que se queria afirmar como turística, é conveniente que as imagens promovidas não sejam de tal forma diversa que, em vez de identificarem a cidade através de elementos fortes, estruturados e coerentes de uma identidade urbana historicamente consolidada, confundam quem a procura.